A sobretaxa as importações brasileiras imposta pelo governo Trump se revela em prejuízos também para os EUA

Antonio Araujo
Repórter
A imprensa nacional martela nos 50% de tarifa imposta pelo xerife laranjão. Mas não é só isso. Lembre-se de que países membros do Brics já eram taxados em 10%. Assim, para o Brasil, são inaceitáveis 60%.
Trump blefa. E como blefa! Nos States, tem se tornado conhecido como o arregão. Fala e não sustenta. In Trump we don't trust.
A laranja
E dá pra confiar?
No ano passado, o Brasil exportou míseras 305.898 toneladas de suco de laranja. Ou, se preferirem em money: US$ 1,31 bilhão. O suco movimenta US$ 14 bilhões anuais nos Estado Unidos.
E quem precisa do suco de laranja brasileiro? A PepsiCo, com a marca Tropicana, que gerou US$ 4,2 bilhões em vendas em 2024. A Coca-Cola, com a Minute Maid, também.

Além da indústria de bebidas, a de alimentos e processados é refém da laranja brasileira. Como também a de cosméticos e a de aromatizantes. A laranja é matéria-prima para o óleo essencial cuja indústria fatura anualmente US$ 93,4 bilhões.
Um cafezinho

Mas nem só de laranja vive o homem estadunidense. Eles também amam café (vide o gráfico com a movimentação do consumo). Sem produzir um grãozinho sequer do produto, os EUA compraram US$ 7,5 bilhões do Brasil em 2024.
Papel, ferro e nióbio

A celulose brasileira também é pop no mercado estadunidense. Fabricantes famosas como a Kimberly-Clark (a do conhecido lencinho), Procter&Gamble e Georgia Pacific faturaram mais de US$ 100 bilhões com produtos de papel, entre eles o guardanapo. Acha que são loucas ao ponto de rasgar papel?
Os Estados Unidos, que consomem 60 milhões de toneladas anuais, também precisa do ferro brasileiro. No ano passado, o Brasil exportou 15 milhões de toneladas do minério, ou seja, 25% da necessidade do Tio Sam.
E só o Brasil fornece nióbio para os States. Em 2024, foram US$ 2,38 bilhões de exportação. O produto é utilizado na indústria aeroespacial e na Defesa. Ficariam sem esse produto?
