Sistemas agroflorestais impulsionam caprinocultura leiteira no agreste alagoano

Publicado por: Redação
Postado:  02/10/2025

Manejo sustentável apoiado pelo Banco do Nordeste fortalece produção, solo e segurança alimentar

Por Redação*

O agreste alagoano começa a colher os frutos da sustentabilidade. Foto: Assessoria

Combinando tradição e inovação, agricultores familiares, do agreste alagoano, estão descobrindo que é possível produzir mais e melhor, com menos impacto ambiental. O segredo? Um modelo de manejo agroflorestal integrado à caprinocultura leiteira, que alia produção de alimentos, recuperação do solo e segurança alimentar.

A iniciativa é da Associação dos Agricultores Alternativos (AAGRA), com apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci), do Banco do Nordeste (BNB). O projeto vem redesenhando as paisagens produtivas da região, criando Unidades de Referência em Sistemas Agroflorestais Agroecológicos (SAFAs) nos municípios de Igaci, Limoeiro de Anadia e Coité do Noia.

 Agricultura sustentável e leite de cabra: uma parceria produtiva

O projeto introduziu um modelo de produção integrada, em que árvores nativas, culturas alimentares e plantas forrageiras convivem em harmonia, formando paisagens multifuncionais e férteis. Essa estratégia aumenta a biodiversidade, melhora a fertilidade do solo e reduz o uso de agrotóxicos e insumos químicos.

De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador do projeto, Fabiano Leite, o sistema permite cultivar, dentro de uma mesma área, espécies arbóreas, alimentos para as famílias agricultoras e a forragem que será destinada à alimentação dos caprinos.

Atualmente, mais de 10 SAFAs já estão implantados. O projeto começou com apenas três unidades demonstrativas, mas o engajamento das famílias impulsionou a replicação espontânea em novas propriedades. “Criamos um verdadeiro ecossistema de participação. As famílias se unem em mutirões e avaliam coletivamente os resultados”, destaca Fabiano.

 Solo recuperado e menos insumos químicos

Entre os resultados mais expressivos está a recuperação gradativa dos solos. A cobertura vegetal diversificada fortalece o ecossistema, aumenta a matéria orgânica e melhora a estrutura física do solo, reduzindo a erosão e garantindo produção contínua e sustentável.

“O princípio é simples: solo coberto é solo vivo, resume o coordenador.

Um "campo" para formação e inovação

Mais do que tecnologia, o projeto também leva conhecimento e educação contextualizada ao campo. As formações incluem temas como gestão financeira rural, homeopatia animal, armazenamento de forragem, controle biológico de pragas e qualidade orgânica.

As famílias também receberam kits de mecanização adaptados à agricultura familiar, com motocultivadores, roçadeiras e pulverizadores, o que ampliou a capacidade produtiva e reduziu o esforço físico no manejo das áreas.

Além de 20 famílias beneficiadas diretamente, o projeto alcançou técnicos, estudantes e agricultores de outros municípios, multiplicando o conhecimento e estimulando novas práticas sustentáveis.

Educação e o saber popular transformando o campo

As ações seguem a Proposta Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (PEADS), que une o saber popular à ciência. Ou seja, educação formal e os saberes do campo se integram mobilizando um aprendizado consistente e transformador.

Nessa construção, valorizamos tanto os saberes do campo e da cultura popular quanto o diálogo com o conhecimento científico. Assim, estabelecemos uma base sólida de aprendizado”, explica Fabiano.

 Investimento público e o fortalecimento da agricultura familiar

O projeto foi selecionado no edital Fundeci 2023, do Banco do Nordeste, que financia iniciativas de inovação e sustentabilidade com recursos não reembolsáveis. Esses investimentos são fundamentais para fortalecer a agricultura familiar e promover um novo modelo produtivo para o semiárido nordestino — mais inclusivo, eficiente e resiliente às mudanças climáticas. Com resultados concretos na produção de leite de cabra, na recuperação ambiental e no empoderamento das comunidades rurais, o projeto desponta como um exemplo de sucesso na transição agroecológica do Nordeste.

*Com assessoria BNB

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