Por Redação*

Combinando tradição e inovação, agricultores familiares, do agreste alagoano, estão descobrindo que é possível produzir mais e melhor, com menos impacto ambiental. O segredo? Um modelo de manejo agroflorestal integrado à caprinocultura leiteira, que alia produção de alimentos, recuperação do solo e segurança alimentar.
A iniciativa é da Associação dos Agricultores Alternativos (AAGRA), com apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci), do Banco do Nordeste (BNB). O projeto vem redesenhando as paisagens produtivas da região, criando Unidades de Referência em Sistemas Agroflorestais Agroecológicos (SAFAs) nos municípios de Igaci, Limoeiro de Anadia e Coité do Noia.
O projeto introduziu um modelo de produção integrada, em que árvores nativas, culturas alimentares e plantas forrageiras convivem em harmonia, formando paisagens multifuncionais e férteis. Essa estratégia aumenta a biodiversidade, melhora a fertilidade do solo e reduz o uso de agrotóxicos e insumos químicos.
De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador do projeto, Fabiano Leite, o sistema permite cultivar, dentro de uma mesma área, espécies arbóreas, alimentos para as famílias agricultoras e a forragem que será destinada à alimentação dos caprinos.
Atualmente, mais de 10 SAFAs já estão implantados. O projeto começou com apenas três unidades demonstrativas, mas o engajamento das famílias impulsionou a replicação espontânea em novas propriedades. “Criamos um verdadeiro ecossistema de participação. As famílias se unem em mutirões e avaliam coletivamente os resultados”, destaca Fabiano.
Entre os resultados mais expressivos está a recuperação gradativa dos solos. A cobertura vegetal diversificada fortalece o ecossistema, aumenta a matéria orgânica e melhora a estrutura física do solo, reduzindo a erosão e garantindo produção contínua e sustentável.
“O princípio é simples: solo coberto é solo vivo, resume o coordenador.
Mais do que tecnologia, o projeto também leva conhecimento e educação contextualizada ao campo. As formações incluem temas como gestão financeira rural, homeopatia animal, armazenamento de forragem, controle biológico de pragas e qualidade orgânica.
As famílias também receberam kits de mecanização adaptados à agricultura familiar, com motocultivadores, roçadeiras e pulverizadores, o que ampliou a capacidade produtiva e reduziu o esforço físico no manejo das áreas.
Além de 20 famílias beneficiadas diretamente, o projeto alcançou técnicos, estudantes e agricultores de outros municípios, multiplicando o conhecimento e estimulando novas práticas sustentáveis.
As ações seguem a Proposta Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (PEADS), que une o saber popular à ciência. Ou seja, educação formal e os saberes do campo se integram mobilizando um aprendizado consistente e transformador.
“Nessa construção, valorizamos tanto os saberes do campo e da cultura popular quanto o diálogo com o conhecimento científico. Assim, estabelecemos uma base sólida de aprendizado”, explica Fabiano.
O projeto foi selecionado no edital Fundeci 2023, do Banco do Nordeste, que financia iniciativas de inovação e sustentabilidade com recursos não reembolsáveis. Esses investimentos são fundamentais para fortalecer a agricultura familiar e promover um novo modelo produtivo para o semiárido nordestino — mais inclusivo, eficiente e resiliente às mudanças climáticas. Com resultados concretos na produção de leite de cabra, na recuperação ambiental e no empoderamento das comunidades rurais, o projeto desponta como um exemplo de sucesso na transição agroecológica do Nordeste.
*Com assessoria BNB
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