
*Cicero Rodrigues
Você talvez pense ou que o título deste artigo é vazio ou que uma iluminação sobre alguma realidade dos ambientes íntimo, público e corporativo dará o ar da graça aqui nestas linhas muito breves e sem nenhuma pretensão. Fenômenos sociais estão a todo tempo sendo gestados coletivamente pelo conjunto dos indivíduos da sociedade ou, para ser um tanto realista dos nossos dias, pelos algorítimos e pelas plataformas digitais das big techs.
Fenômenos sociais ocorrendo sob demanda são uma novidade que possivelmente não estava no horizonte até pouco tempo.
Em verdade, padrões de crescimento e consumo sempre estiveram sob demanda, porque as indústrias produzem tendências. Há tendências que se sustentam por períodos muito curtos e há demandas que nunca cessam. É no espaço entre uma coisa e outra onde os fenômenos e demandas sociais afetam a sociedade e os negócios. Contudo, esse é exatamente o espaço onde a inovação pode ser pensada; pensada para os negócios e pensada para o coletivo. Mas os fenômenos sociais não se limitam a isso. O ambiente habitado pelas pessoas e pelas empresas é muito mais exigente.
Os anos recentes foram afetados pela pandemia do Covid-19. Esse espaço é por si só uma excelente provocação para se olhar os fenômenos de consumo, os fenômenos sociais e do ambiente de negócios. O acesso e a exclusão ao consumo de bens e serviços públicos e privados desvelou questões que não podem ser colocadas debaixo do tapete, assim como não se pode ignorar o fato de que os pequenos negócios foram fortemente impactados e muitos não foram capazes de resistir.
É necessário dizer que um dos efeitos mais dramáticos desse período seja uma consciência coletiva afetada por um novo fenômeno social: o mundo e os negócios chegaram a um momento em que processos precisam ser revistos, a vida é mais importante e uma grande parcela de nós precisa ser inserida no conjunto dos bens sociais como forma de investimento e saúde para pessoas e para as empresas.
*Cicero Rodrigues é diretor de arte e ilustrador.
