Mais dinheiro no bolso do trabalhador deve impulsionar o consumo, fortalecer pequenos negócios e ampliar a atividade econômica na região
Redação com Sudene

A ampliação da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que entra em vigor em janeiro de 2026, deve provocar um impacto significativo na economia do Nordeste. Estimativa da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) aponta que a medida poderá injetar cerca de R$ 1,7 bilhão por ano na economia regional, reforçando o consumo das famílias e criando novas oportunidades para pequenos negócios e empreendimentos locais.
A política pública, instituída pela Lei nº 15.250/2025, garante isenção do imposto para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil e descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.350. Em todo o País, aproximadamente 15 milhões de contribuintes devem ser beneficiados, com uma renúncia fiscal nacional estimada em R$ 25,8 bilhões — dos quais cerca de 7% terão reflexo direto no Nordeste.
De acordo com os estudos da Sudene, a nova regra deve ampliar a renda disponível no Nordeste em aproximadamente R$ 126,7 milhões por mês. Esse reforço no orçamento familiar tende a ser direcionado, principalmente, ao consumo imediato, característica comum entre famílias de renda média e baixa.
Bahia, Pernambuco e Ceará concentram quase 70% desse impacto mensal, seguidos por Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Piauí e Sergipe. Em valores absolutos, os acréscimos mensais variam de cerca de R$ 5 milhões nos estados com menor volume até R$ 40 milhões na Bahia, passando por faixas intermediárias entre R$ 6 milhões e R$ 27 milhões nos demais estados.
O aumento do poder de compra do trabalhador tende a gerar efeitos diretos sobre o comércio de bairro, serviços locais e micro e pequenas empresas — base da economia nordestina. Com mais dinheiro disponível, o consumidor pode ampliar a cesta de compras, incluir produtos que antes ficavam fora da rotina e até planejar aquisições de maior valor.
Itens como roupas, calçados, eletrodomésticos, produtos de higiene, alimentos diferenciados e serviços diversos passam a integrar o orçamento de consumo, criando novas possibilidades para empreendedores locais. Esse movimento fortalece o comércio, estimula a produção e contribui para a geração de empregos.
A Sudene avalia que, mesmo com um impacto anual estimado em torno de R$ 2 bilhões, a medida tem forte efeito multiplicador, justamente por atingir um público com alta propensão ao consumo. O dinheiro que circula no comércio local tende a retornar à economia na forma de investimentos, ampliação de estoques e até acesso a crédito para expansão dos negócios.
Esse ciclo virtuoso pode estimular desde pequenos mercados e feiras livres até lojas, oficinas, prestadores de serviços e empresas de médio porte, consolidando um ambiente mais favorável ao crescimento econômico regional.
Para a Sudene, a ampliação da isenção do Imposto de Renda reforça a importância de políticas públicas voltadas ao alívio da carga tributária dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que funcionam como instrumento de estímulo ao consumo e à atividade produtiva.
Ao aumentar a renda disponível das famílias, a medida contribui para dinamizar a economia local, fortalecer os pequenos negócios e promover um desenvolvimento mais equilibrado no Nordeste — região onde o consumo interno tem papel estratégico na sustentação do crescimento econômico.
