
O governo federal anunciou que será publicado, na sexta-feira (31) o edital que reinclui o trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape, em Pernambuco — parte que havia sido retirada do projeto no governo anterior.
O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, durante o programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
“O presidente Lula tomou a decisão de não retirar Pernambuco da estratégia do desenvolvimento do Nordeste ferroviário, e reincluiu o braço que vai de Salgueiro a Suape”, afirmou o ministro.
A decisão recoloca Pernambuco na rota do crescimento e reforça o papel da Transnordestina como um dos principais pilares da integração e do desenvolvimento regional.
Com a reinclusão do trecho pernambucano, a ferrovia ganhará um acesso direto ao Porto de Suape, um dos mais modernos e estratégicos do país. A nova ligação deve ampliar a competitividade de produtos agrícolas, minerais e industriais, fortalecendo o escoamento da produção e atraindo novos investimentos para o estado.
Atualmente, grande parte da produção do interior pernambucano depende do transporte rodoviário, mais caro e menos eficiente. A Transnordestina promete mudar esse cenário — cada trem completo pode substituir até 380 caminhões, reduzindo custos e emissões de carbono.
A Ferrovia Transnordestina tem mais de 1.200 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 15 bilhões.
Ela conectará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), com o ramal pernambucano até Suape (PE), cruzando 53 municípios.
O projeto é considerado um dos maiores empreendimentos logísticos do país, com impacto direto sobre a economia de toda a região.
Atualmente, cerca de 5 mil trabalhadores estão empregados nas obras nos estados do Ceará e do Piauí, e a expectativa é de que esse número aumente com a retomada do trecho pernambucano.
Hoje, o transporte ferroviário ainda representa uma pequena parcela da matriz logística do Nordeste.
De acordo com o Panorama da Infraestrutura – Edição Nordeste (CNI, 2023), foram movimentadas cerca de 191 milhões de toneladas em ferrovias na região — mas 90% desse volume corresponde a minério de ferro, e apenas 3,5 milhões de toneladas foram transportadas pela Transnordestina.
Com o novo trecho até Suape, o potencial de carga deve crescer exponencialmente, impulsionando as exportações e tornando o modal ferroviário mais competitivo frente ao rodoviário, que hoje concentra cerca de 65% do transporte de cargas no Brasil.
Além de reduzir custos logísticos e ampliar a integração regional, a retomada do trecho pernambucano deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
O investimento também deve atrair novas indústrias ao entorno da ferrovia, estimulando cadeias produtivas locais e fortalecendo o complexo portuário de Suape como hub estratégico de exportação.
O ministro Renan Filho destacou ainda que o governo pretende chegar a 50 pontos de parada e descanso para caminhoneiros até o final do mandato, garantindo infraestrutura adequada nas rodovias e reforçando a política de segurança no transporte de cargas.
