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Cícero Rodrigues
Diretor de arte, articulista.
Opnião

Ensaio sobre o PIX, Pavlov e a economia da rolagem de telas

Publicado por: Cícero Rodrigues
Postado:  05/05/2025

Nesses tempos de agora, em que a economia da atenção se tornou o negócio mais lucrativo do planeta e em que a satisfação e a recompensa precisam ser imediatas e instantâneas, o Pix tem um efeito similar às curtidas e compartilhamentos que a gente experimenta nas mídias sociais. O curioso é que um número incontável de interações sociais hoje, criou também a ideia de uma existência não apenas digital, mas, sobretudo, plataformizada e gerida por algoritmos. Para muita gente a economia da atenção gera um tipo de satisfação semelhante a receber uma transferência bancária via Pix. Uma “Curtida” é como um Pix na economia das redes. É também uma espécie de falsa recompensa ao vazio solitário da espera por aprovação no disputado ambiente digital.

Curiosamente, as plataformas entregam para os usuários um ícone (em forma de coração, de uma mãozinha com um polegar levantado como se fosse um OK para alguma espécie de confirmação ou aprovação para algo). É assim que o prêmio — a “Curtida”—, é representado graficamente nas interações do mundo das redes sociais.

Já o Pix não possui um ícone que represente algum tipo de recompensa; ele normalmente é indicado pelo símbolo do banco que intermediou a transação. Quem envia e quem recebe um Pix o vê representado na forma do logotipo de um banco. Ao longo do ano, a gente vê o “logotipo-ícone” do banco e sente alguma espécie de satisfação por vê-lo piscar na tela do celular junto com algum sinal sonoro de seu recebimento.

Essa é uma questão pavloviana de recompensa, exatamente igual à dos likes e notificações que chegam a todo instante nas nossas telas. O condicionamento clássico — ou condicionamento de Pavlov — aplicado às interações e recompensas das redes sociais, sempre com alguma carga de ansiedade envolvida, faz pensar se gera uma satisfação similar à de uma recompensa real, como é o caso do Pix? Será que, de alguma maneira, estamos vendo isso? Fica a provocação para pensarmos nos efeitos da economia da atenção sobre nossa saúde e sobre como isso afeta nossas experiências com trabalho, lazer, vida social, presença digital e negócios.

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