Campos Neto prevê cortes de 0,50 p.p. na taxa Selic nas duas primeiras reuniões do Copom em 2024

Publicado por: Redação
Postado:  21/12/2023

A previsão de cortes, segundo Campos Neto, se baseia nas variáveis atuais do cenário econômico, como queda de preços e diminuição na taxa de juros de longo prazo no exterior, além das medidas de equilíbrio fiscal do governo.

Campos Neto prevê cortes de 0,50 p.p. na taxa Selic nas duas primeiras reuniões do Copom em 2024
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse hoje (21) que o ritmo de queda na taxa básica de juros (Selic) de 0,5 ponto porcentual deve ser mantido nas duas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2024. Lembrando que o Copom é composto por ele e mais oito diretores.

A fala de Campos Neto converge com o que prevê a ata da última reunião do colegiado, ocorrida nos últimos dias 12 e 13 de dezembro, em que houve o quarto corte consecutivo de 0,50 p.p. na Selic, para 11,75% ao ano.

A terceira reunião do Copom ocorre em maio, ou seja, não dá para garantir o que vai acontecer com a economia brasileira. Mas, diante da fala de Campos Neto, já dá para prever a Selic em 10,75% em março.

Conforme o último Boletim Focus do BC, o mercado financeiro prevê, para o fechamento de 2024, que o juro básico da economia ficará em em 9,25% ao ano. Isso significa que o mercado prospecta cortes mais constantes na Selic no ano que vem.

O calendário de reuniões do Copom para 2024 está distribuído da seguinte forma: 30 e 31 de janeiro; 19 e 20 de março; 7 e 8 de maio; 18 e 19 de junho; 30 e 31 de julho; 17 e 18 de setembro; 5 e 6 de novembro; e 10 e 11 de dezembro.

A previsão de dois cortes de 0,50 p.p., segundo Campos Neto, se baseia nas variáveis atuais do cenário econômico: queda de preços, diminuição na taxa de juros de longo prazo no exterior, principalmente nos Estados Unidos, e avanço nas medidas de equilíbrio fiscal do governo brasileiro.

“Hoje, com as variáveis que temos, o mais apropriado é o ritmo de corte de 50 pontos [base, ou 0,5 ponto percentual] nas próximas duas reuniões. Em relação ao cenário fiscal, reconhecemos o esforço [do governo] e ele precisa melhorar. Tem um gap entre o que o mercado entende que precisa o governo. Mas não existe uma relação mecânica entre fiscal e a queda de juros”, afirmou Campos Neto.

Campos Neto disse que é importante o governo “perserverar no alcance da meta fiscal”

Mais cedo hoje, o BC divulgou o relatório trimestral de inflação (RTI), destacando os principais motivos que levaram a instituição a prever queda na inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) este ano, para 4,5%. O índice está dentro da meta de inflação estabelecida para o ano, que tem um intervalo 1,75% e 4,75%.

Será a projeção se concretizar, será a primeira vez em dois anos que a inflação ficará dentro da meta e Campos Neto se livrará da constrangedora tarefa de escrever uma carta explicando o porquê de não ter cumprido a meta de inflação, apesar da Selic ainda alta.

Segundo ele, o ritmo de queda inflacionária previsto no RTI se baseia em um cenário externo mais estável, principalmente na economia americana, e um recuo no preço das commodities, destacando a diminuição dos custos com energia.

“É importante o governo perseverar no alcance da meta fiscal. Reconhecemos que tem um grande esforço do Haddad [Fernando Haddad, ministro da Fazenda]. Sabemos que é difícil a aprovação de projetos no Congresso, mas tivemos uma semana de vitórias. Parabenizei Haddad, tem que se reconhecer o esforço. Avançamos com reformas importantes, como a reforma tributária”, disse o presidente do Banco Central.

Ontem (20), o Senado também aprovou a medida provisória que pode render até R$ 35 bilhões para o governo. A proposta retoma a tributação de impostos federais (IRPJ, CSLL e PIS/Cofins) para empresas que têm benefícios de ICMS para custeio.

Lula convida presidente do BC para churrasco

O presidente do Banco Central confirmou que vai participar do jantar de fim de ano oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Granja do Torto. Ele foi convidado para a confraternização, um churrasco, que deve reunir também ministros do governo. A presença de Campos Neto no evento marca uma inflexão na relação tensa entre ele e Lula.

No início do governo, Lula fez várias críticas pessoais a Campos Neto, devido à sua relutância em baixar a taxa Selic. Somente em agosto o Copom iniciou a trajetória de queda da taxa de juros, que ficou 12 meses no patamar de 13,75% ao ano para deter a inflação pós-pandemia.

Em agosto, Lula chegou a dizer que não sabe a quem Campos Neto “está servindo” e acrescentou que o titular do BC “não entende” de Brasil e nem “de povo”.

A proximidade dos dois ocorreu após mediação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com quem Campos Neto vem construindo uma relação mais próxima e de confiança.

Em setembro, Haddad levou Campos Neto a uma reunião com Lula.

 

 

Redação ICL Economia
Com informações das agências de notícias e de O Globo

 

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