
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que havia, até março de 2023, 108 GW (gigawatts) de capacidade instalada em projetos de geração com outorga e que ainda não entraram em operação e, historicamente, entram em operação 8 GW. Assim, os projetos outorgados corresponderiam a 13,5 anos de expansão da geração no país. Isso sem considerar a fila de projetos que aguardam outorga. Há 22 GW médios de sobreoferta de energia, ou seja, energia pronta para ser gerada, sem demanda.
Se, no passado, tivemos racionamento por falta de geração, atualmente o problema é o excesso de geração. Se os altos preços da energia no mercado livre foram a preocupação, hoje o PLD baixo inviabiliza investimentos em geração centralizada. O preço da energia está baixo no mercado livre e elevado no mercado cativo, o que fomenta a geração distribuída (GD). Segundo a Genial Energy, há cerca de 23 GW de capacidade instalada só em GD.
O crescimento somente das fontes renováveis intermitentes traz complexidade operacional ao sistema interligado, dada a instabilidade da geração dependente de vento e sol. A geração hidrelétrica, firme e renovável, já representou mais de 80% de nossa matriz. Atualmente, responde por 57%. A geração renovável intermitente, que defendemos, representa 22%.
O sistema está perdendo confiabilidade, lastro e, apesar do excesso de geração, com a retomada da economia há risco de não atendimento da demanda nos horários de pico do consumo. As fontes de geração firme conferem segurança ao sistema e são indispensáveis, devendo ter lugar preservado, mesmo com a transição energética e a realização de leilões de capacidade para negociar lastro, viabilizando negócios e investimentos em geração firme.
