O cultivo de eucalipto integrado à pecuária vem ganhando espaço em Alagoas como alternativa para aumentar a produtividade no campo, diversificar a renda dos produtores e tornar a atividade pecuária mais sustentável. O modelo, conhecido como sistema silvipastoril, combina árvores, pastagens e criação de animais em uma mesma área, permitindo a produção simultânea de madeira e carne.
A expansão da cultura é resultado de um projeto desenvolvido pelo Sebrae Alagoas, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) e Embrapa Tabuleiros Costeiros, que desde 2018 acompanha produtores e avalia clones de eucalipto adaptados às condições climáticas e de solo do estado. Segundo levantamento da FIEA, a área plantada com eucalipto em Alagoas cresceu de 2,5 mil para mais de 27,6 mil hectares na última década.
Além de criar uma nova fonte de receita com a comercialização da madeira, o sistema proporciona benefícios diretos à pecuária. O sombreamento das árvores reduz o estresse térmico do rebanho, contribui para a conservação das pastagens durante os períodos mais secos e melhora a qualidade do capim, favorecendo o desempenho dos animais.
Outro diferencial é o potencial produtivo da cultura no estado. Enquanto a média nacional de produção gira em torno de 40 metros cúbicos de madeira por hectare ao ano, áreas experimentais em Alagoas registraram índices superiores, demonstrando elevada adaptação da espécie às condições locais.
Atualmente, unidades de referência técnica instaladas em municípios como Passo de Camaragibe, Maceió e Pão de Açúcar monitoram os resultados do sistema. O acompanhamento inclui desde a escolha da área e análise do solo até o manejo das árvores e da pecuária, etapa considerada fundamental para o sucesso da atividade.
A madeira produzida pode atender diferentes mercados, como biomassa energética, construção civil, mourões, serrarias, móveis e celulose, ampliando as oportunidades de negócios para os produtores rurais. A expectativa das instituições envolvidas é ampliar o acesso às mudas, formar novos consultores especializados e consolidar o eucalipto como mais uma alternativa de desenvolvimento sustentável para o agronegócio alagoano.