Segunda descoberta no poço Morpho reforça expectativa de uma nova fronteira exploratória e pode colocar a Foz do Amazonas entre as áreas estratégicas para o futuro da produção de petróleo no Brasil

A Petrobras elevou as expectativas em torno da Foz do Amazonas após a confirmação de uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na Margem Equatorial brasileira. O novo resultado reforça a possibilidade de abertura de uma nova fronteira exploratória no país e aumenta a relevância estratégica da região para o futuro da produção nacional de óleo e gás.
A avaliação foi apresentada nesta sexta-feira (2) pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo ela, embora ainda não seja possível garantir a viabilidade comercial da descoberta, os resultados obtidos até agora indicam um cenário promissor para a região.
A possibilidade de uma nova fronteira de produção ganha importância diante da perspectiva de redução da produção de petróleo em áreas maduras do país. De acordo com a Petrobras, a exploração de novas reservas poderá contribuir para reduzir, no futuro, um eventual déficit de produção nacional.
“Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim”, afirmou a presidente da Petrobras. A executiva também destacou que os resultados obtidos vêm reforçando o potencial exploratório do Amapá.
O poço 1-BRSA-1405-APS está localizado em águas ultraprofundas, a 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d’água de 2.886 metros.
A primeira descoberta de petróleo no poço Morpho havia sido anunciada em agosto deste ano. A confirmação de uma nova ocorrência amplia o interesse sobre a área e fortalece a estratégia da Petrobras de avaliar o potencial da Margem Equatorial.
De acordo com estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar 10 bilhões de barris de óleo equivalente. A medida considera conjuntamente petróleo e gás natural.
Os resultados ainda não significam que todo esse potencial possa ser convertido em reservas ou produção. Antes disso, será necessário concluir estudos, avaliações técnicas e perfurações destinadas a dimensionar as jazidas e verificar sua viabilidade econômica.
Durante a apresentação dos resultados, uma amostra do óleo extraído do poço Morpho foi exibida pela Petrobras. Segundo Magda Chambriard, o petróleo encontrado apresenta baixa viscosidade e foi classificado por ela como de excelente qualidade.
O grau API, indicador utilizado para medir a densidade e a leveza do petróleo, ainda não foi divulgado por estar sujeito a sigilo regulatório.
A qualidade do óleo é um fator relevante para determinar seu potencial econômico. De modo geral, petróleos mais leves e menos densos apresentam características que podem favorecer seu processamento e seu valor no mercado de refino.
A Petrobras recebeu, em outubro de 2025, autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar perfurações na Margem Equatorial.
No poço Morpho, os testes e as operações devem prosseguir até o fim de outubro. Depois dessa etapa, a sonda será desmobilizada e deslocada para o Rio Grande do Norte, onde está prevista, em novembro, a perfuração do prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.
Na Foz do Amazonas, o planejamento prevê uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027. A programação inclui a perfuração de três poços de delimitação no Bloco FZA-M-59.
Essas novas perfurações terão papel decisivo para determinar o tamanho das acumulações identificadas, avaliar o volume efetivamente recuperável e verificar se os recursos encontrados apresentam condições para exploração comercial.
A sequência de descobertas coloca a Foz do Amazonas no centro das atenções da indústria brasileira de petróleo e gás. Para a Petrobras, a região representa uma oportunidade de ampliar o conhecimento sobre a Margem Equatorial e avaliar uma possível nova fronteira de produção.
A relevância econômica vai além dos resultados de um único poço. Caso a viabilidade comercial das descobertas seja confirmada, a exploração poderá estimular investimentos em infraestrutura, serviços especializados, logística e cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a atividade econômica associada ao setor de petróleo e gás.
Por enquanto, os dados disponíveis ainda não permitem dimensionar qual será o impacto efetivo da nova descoberta sobre a produção brasileira. As próximas perfurações e os estudos de delimitação serão fundamentais para transformar o potencial geológico identificado na Foz do Amazonas em uma estimativa concreta de reservas e produção.
Para a Petrobras, o avanço das pesquisas representa uma etapa estratégica na busca por novas reservas capazes de sustentar a produção nacional nas próximas décadas.
