Recursos do banco dos Brics serão destinados ao FDNE e poderão ampliar investimentos de longo prazo em energia renovável, transporte, logística e conectividade na região

O Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) receberá US$ 300 milhões de uma operação de crédito de até US$ 500 milhões que o governo brasileiro está autorizado a contratar junto ao New Development Bank (NDB), banco de desenvolvimento dos países do Brics.
A autorização foi publicada na sexta-feira (4) pelo Ministério da Fazenda no Diário Oficial da União. Do total da operação, US$ 300 milhões serão destinados ao FDNE, administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Outros US$ 100 milhões serão direcionados ao Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e US$ 100 milhões ao Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO).
Os recursos fazem parte do Programa de Desenvolvimento de Infraestrutura Regional Sustentável, estruturado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) para ampliar as fontes de financiamento dos fundos regionais.
Para o FDNE, os US$ 300 milhões serão liberados gradualmente: US$ 50 milhões em 2026, US$ 150 milhões em 2027, US$ 50 milhões em 2028 e outros US$ 50 milhões em 2029.
Os financiamentos deverão priorizar projetos de infraestrutura de longo prazo, especialmente em áreas estratégicas para o desenvolvimento regional, como energia renovável, transporte, logística e conectividade.
A operação amplia a capacidade do FDNE de apoiar empreendimentos estruturantes no Nordeste, criando uma fonte adicional de recursos para investimentos que exigem financiamento de longo prazo.
A chegada dos recursos ocorre em um momento em que o Nordeste amplia sua participação em setores estratégicos da economia brasileira, especialmente na geração de energia renovável. Para que esse potencial se transforme em desenvolvimento, porém, a região ainda precisa avançar em infraestrutura de transmissão, transporte, logística e conectividade.
Nesse contexto, o crédito externo pode ajudar a viabilizar projetos capazes de melhorar a competitividade dos estados nordestinos, reduzir gargalos de infraestrutura e criar condições para a atração de novos investimentos.
A contratação foi construída ao longo de três anos. A proposta começou a ser estruturada em 2023 pelo MIDR e avançou na Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) e no próprio NDB. Em dezembro de 2025, o banco aprovou o financiamento de até US$ 500 milhões.
Em abril de 2026, a operação foi encaminhada ao Senado, que autorizou a contratação em julho por meio da Resolução nº 20.
Agora, com a autorização do Ministério da Fazenda, o processo avança para a contratação do financiamento e posterior liberação dos recursos aos fundos regionais.
Para o Nordeste, a operação representa uma nova fonte de capital para projetos estruturantes e reforça o papel do FDNE como instrumento de financiamento do desenvolvimento econômico e da infraestrutura regional.
