
Quando se fala em lúpulo, ingrediente responsável pelo aroma e parte do sabor da cerveja, a maioria das pessoas logo pensa em regiões de clima frio ou em produtos importados. Mas uma experiência desenvolvida em Alagoas está mostrando que essa realidade pode estar mudando.
Na Fazenda Sete Léguas, em União dos Palmares, o agricultor Aluysio Righetti vem consolidando uma iniciativa pioneira no estado: o cultivo de lúpulo adaptado às condições climáticas da região. O trabalho já chama a atenção de cervejeiros, pesquisadores e instituições ligadas à inovação agrícola e à produção de bebidas artesanais.
Os resultados foram apresentados durante o Dia de Campo Colheita do Lúpulo, evento que reuniu representantes do setor cervejeiro de Alagoas e Pernambuco, pesquisadores e parceiros do projeto para conhecer de perto a produção e experimentar cervejas elaboradas com a matéria-prima cultivada na propriedade.
O interesse não é por acaso.
Além de reduzir a dependência de insumos vindos de outras regiões ou países, o cultivo local abre caminho para o desenvolvimento de cervejas com características próprias, influenciadas pelo clima, solo e condições ambientais do Nordeste. Na prática, isso significa a possibilidade de criar produtos com identidade regional, agregando valor às cervejarias e fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Atualmente, a fazenda possui cerca de 500 plantas em produção e uma nova área com mais de mil mudas em desenvolvimento. A expectativa é ampliar o cultivo nos próximos meses e concentrar os investimentos nas variedades que melhor se adaptaram às condições locais e apresentam maior aceitação pelo mercado cervejeiro.
Outro avanço importante foi a modernização da estrutura de beneficiamento do lúpulo. A implantação do processo de peletização — que transforma a flor em pequenos pellets utilizados pelas cervejarias — melhora a conservação do produto, facilita a logística e amplia as possibilidades de comercialização.
O potencial da iniciativa vai além do universo das cervejas artesanais.
O cultivo do lúpulo representa mais uma alternativa para diversificação da agricultura alagoana, criando novas oportunidades de geração de renda no campo e estimulando a inovação em uma atividade tradicionalmente concentrada em outras regiões do país.
Para Aluysio Righetti, que iniciou o projeto em 2022, o caminho tem sido de aprendizado constante. Ele destaca que os desafios existem, especialmente pela falta de equipamentos e soluções específicas para a cultura na região, mas acredita que os resultados alcançados mostram que o potencial é promissor.
O crescimento da iniciativa também tem contado com o apoio de instituições parceiras. O Sebrae Alagoas acompanha o projeto desde os primeiros passos, contribuindo com ações voltadas à inovação, capacitação e acesso a mercado. O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) e o Instituto Ceres também participam das pesquisas e do desenvolvimento da atividade.
Durante o evento, os participantes puderam degustar cervejas produzidas com lúpulo cultivado na Fazenda Sete Léguas. A experiência permitiu perceber, na prática, a qualidade da matéria-prima produzida em solo alagoano e o potencial que ela possui para atender cervejarias da região.
O que começou como uma aposta pioneira hoje desponta como uma oportunidade real para o agronegócio alagoano. E, ao que tudo indica, o futuro da cerveja nordestina pode ter cada vez mais ingredientes produzidos dentro de casa.
