Queda foi puxada por setores como petróleo, alimentos, químicos e farmacêuticos; apesar do resultado, produção industrial segue acima dos níveis registrados em 2025
Com Agência Brasil

A produção da indústria brasileira registrou queda de 1,8% em junho na comparação com maio, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo recuo consecutivo do setor, após a retração de 0,9% observada no mês anterior, interrompendo parte do ritmo de crescimento registrado no início do ano.
Com o resultado, a indústria acumula uma perda de 2,7% nos últimos dois meses. De acordo com a análise do IBGE, esse desempenho reduziu parte do avanço de 4,4% alcançado entre janeiro e abril, indicando uma desaceleração da atividade industrial no curto prazo.
Apesar da retração mensal, o cenário permanece positivo quando a comparação é feita com períodos mais longos. Em relação a junho de 2025, a produção industrial cresceu 1,7%. No acumulado de 2026, a alta é de 1,5%, enquanto, nos últimos 12 meses, o setor registra expansão de 0,7%.
A queda de junho foi disseminada por boa parte da indústria. Dos 25 segmentos pesquisados pelo IBGE, 16 reduziram a produção. Entre os destaques negativos estão os setores de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, produtos químicos, alimentos, farmacêuticos, confecção de vestuário, equipamentos eletrônicos, outros equipamentos de transporte, produtos de borracha e plástico e indústrias extrativas.
Na direção oposta, nove atividades apresentaram crescimento, com destaque para os segmentos de celulose e papel, impressão e reprodução de gravações e metalurgia, que ajudaram a amenizar o resultado geral do mês.
O levantamento também mostra que as quatro grandes categorias econômicas da indústria registraram desempenho negativo. A maior retração ocorreu na produção de bens de consumo semi e não duráveis, que caiu 4,1%. Também houve redução na fabricação de bens de consumo duráveis, além de recuos na produção de bens de capital — como máquinas e equipamentos — e de bens intermediários, utilizados como insumos por outros setores industriais.
Os dados reforçam que a indústria atravessa um momento de acomodação após o crescimento observado nos primeiros meses do ano. Ainda assim, o desempenho acumulado indica que o setor segue em trajetória positiva, embora em um ritmo mais moderado, acompanhando um cenário de maior cautela na atividade econômica.
