Crédito que valorize o potencial do Nordeste é única forma para reparar atraso econômico, diz Fonteles

Publicado por: Redação
Postado:  09/02/2026

Mesmo com a economia em franca ascensão, o Nordeste ainda amarga reflexos de um tratamento desigual na concessão de crédito para o setor produtivo

Pedro Barros

A primeira Assembleia do Consórcio Nordeste de 2026, realizada em Maceió, foi recheada de discursos empolgantes, mas alguns tiveram o tom de alerta, como do governador do Piauí, Rafael Fonteles. Ele chamou a atenção para a necessidade de corrigir a distorção provocada por um tratamento desigual no volume de recursos destinados a região. Cenário, de acordo com o gestor, que vem se arrastando ao longo das últimas 70 décadas e que é responsável por emperrar o crescimento da região.

Mesmo levando em conta os recentes avanços registrados no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e das operações de crédito que movimentaram aproximadamente R$ 1 trilhão, entre o final de 2024 e final de2025, o governador enfatizou a urgência em corrigir essa desigualdade.

Fonteles comandou o Consórcio Nordeste até o final de 2025 e foi substituído por Paulo Dantas, governador de Alagoas, eleito por unanimidade, para comandar a associação de estados nordestinos. Sua fala se deu durante a cerimônia de posse de Dantas, que recepcionou os demais governadores da região, na capital alagoana.

Último governador a discursar no evento, Fonteles pediu ao novo presidente do Consórcio Nordeste que leve adiante uma das principais bandeiras da gestão anterior: reivindicar tratamento condizente com o potencial da região, quando o assunto for concessão de crédito para o setor produtivo.

Reparação histórica

O governador do Piauí explicou que o Nordeste ao longo dos últimos 70 anos foi relegado a um plano inferior no quesito disponibilidade de créditos, e que corrigir essa lacuna deve ser um dos principais objetivos do Consórcio.

“Uma das principais bandeiras da nossa gestão à frente do Consórcio, foi a tentativa de mudar uma distorção triste da história do Brasil, há pelo menos 70 anos. O Nordeste tem 27% da população brasileira, quase 28%, mas nunca ultrapassou 14% do PIB”, desabafou.

Apesar da região vim alcançando expressivos aumentos em seu Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, desde 2023 vem superando a média do país, a barreira dos 14%, relativos ao PIB nacional, permanece inalterada. “Nunca nesses 70 anos ultrapassou 14% do PIB”. “É como uma barreira intransponível”, sentenciou.

 Mais crédito produtivo, menos barreiras para o crescimento

"Como se explica essa barreira intransponível”? Pergunta o governador, para em seguida dar a resposta: "crédito". Ou melhor, a forma como ele é “distribuído” entre as regiões brasileiras, destacou. A constatação, ao longo desse período, de acordo com o governador, é que os recursos para investimentos destinados ao setor produtivo do Nordeste, na maioria das vezes, não chegava a 10% do crédito produtivo do país. Valor insuficiente para corrigir essa lacuna histórica.

Por exemplo, para que haja uma equiparação do crédito produtivo à sua população e, assim, essa reparação histórica comece a ser compensada, o Nordeste necessita de investimentos que cheguem próximos de 25% a 27% do volume do crédito produtivo alocado nacionalmente. Isso resultaria em economia ainda mais dinâmica, e por consequência, em um PIB superior aos atuais 14%.

Crédito versus desigualdade histórica

No entanto, de acordo com os números destacados pelo governador Fonteles, em seu discurso de despedida da presidência do Consórcio Nordeste, essa realidade está muito distante, por isso a importância do Consórcio Nordeste.

“O crédito é a alavanca do desenvolvimento, e é muito mais importante que o investimento público,  porque vem em um volume maior”, explicou Fonteles, acrescentando ainda: “Deve-se exigir dos bancos, sobretudo dos bancos públicos, que a participação das empresas do Nordeste no crédito continue crescendo e alcance pelo menos o nosso percentual do PIB”.

Apesar das dificuldades relatadas o governador destacou que as articulações do Consórcio Nordeste em 2025 resultaram na aprovação de mais de R$ 113 bilhões. Os recursos foram destinados a projetos industriais na “Chamada Nordeste”, iniciativa que congrega ações do Consórcio Nordeste, juntamente com bancos públicos e o governo federal.

Sem que essas articulações se imponham, com investimentos e acesso a mais e melhores linhas de financiamentos para o Nordeste, “corre-se o risco de o crédito se transformar em indutor da desigualdade regional”, alertou.

 

 

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