Financiamentos do Banco do Nordeste cresceram 164% em 2025, impulsionando investimentos, geração de renda e expansão da atividade aquícola no estado

A carcinicultura cearense segue ampliando sua relevância econômica e consolidando o Ceará como um dos principais polos produtores de camarão cultivado do Brasil. Reflexo desse crescimento, os financiamentos destinados à atividade pelo Banco do Nordeste (BNB) registraram forte expansão em 2025, demonstrando a confiança dos produtores e o potencial de desenvolvimento do setor.
No ano passado, o BNB contratou R$ 54,3 milhões em operações de crédito voltadas para a criação de camarões em cativeiro no Ceará. O valor representa um crescimento de 164% em comparação com 2024, quando foram financiados pouco mais de R$ 20 milhões para a atividade.
O avanço dos investimentos evidencia o momento favorável vivido pela carcinicultura no estado, uma cadeia produtiva que movimenta a economia local, gera empregos e fortalece o desenvolvimento de municípios localizados principalmente nas regiões litorâneas e estuarinas.
Segundo a superintendente estadual do Banco do Nordeste no Ceará, Eliane Brasil, a demanda por crédito vem apresentando crescimento contínuo nos últimos anos.
“De 2023 para 2024, já registramos uma alta de quase 90% na procura por crédito para carcinicultura. E agora, nos quatro primeiros meses de 2026, já financiamos R$ 7,7 milhões. Esse valor é 55% superior ao registrado entre janeiro e abril do ano passado”, destaca.
O aumento das contratações acompanha a expansão da área destinada à aquicultura no Ceará. Dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) mostram que os empreendimentos voltados à criação de peixes, camarões, ostras e algas em ambientes controlados vêm crescendo de forma consistente.
Em 2023, o estado possuía 14.603 hectares ocupados por atividades aquícolas. Em 2024, a área avançou para 15.288 hectares e atualmente já alcança 16.233 hectares, reforçando a tendência de expansão do setor.
Esse crescimento demonstra não apenas o fortalecimento da produção, mas também o aumento da capacidade de geração de renda em comunidades que encontram na aquicultura uma importante alternativa econômica.
Principal agente financeiro de desenvolvimento da região, o Banco do Nordeste tem desempenhado papel estratégico na expansão da carcinicultura. A instituição disponibiliza crédito para todas as etapas da atividade, desde a implantação dos empreendimentos até a modernização das estruturas produtivas.
Os recursos podem ser utilizados na construção, reforma e ampliação de viveiros, aquisição de máquinas, equipamentos, implementos, veículos e sistemas de beneficiamento e industrialização da produção. Além disso, o banco também oferece linhas destinadas ao custeio da atividade, garantindo capital de giro para manutenção dos cultivos e ampliação da produção.
O apoio financeiro permite que pequenos, médios e grandes produtores invistam em tecnologia, aumentem a produtividade e ampliem sua competitividade no mercado nacional e internacional.
O desempenho do Ceará reflete sua importância dentro da carcinicultura nordestina. Dos R$ 75,6 milhões contratados pelo Banco do Nordeste para a atividade em toda sua área de atuação — que inclui os estados do Nordeste e parte de Minas Gerais e Espírito Santo —, mais de R$ 54 milhões foram destinados ao estado cearense.
Os números reforçam o protagonismo do Ceará em uma cadeia produtiva que combina geração de emprego, desenvolvimento regional, fortalecimento da economia azul e produção de alimentos de alto valor agregado.
Com acesso ao crédito, expansão das áreas produtivas e crescente demanda por camarão cultivado, a expectativa é que o setor continue atraindo investimentos e ampliando sua contribuição para a economia cearense nos próximos anos.
