Como agricultores familiares resistem às dificuldades e dão lição de empreendedorismo

Publicado por: Redação
Postado:  08/06/2025

Fragilizado pela falta de apoio, concorrência e jogados à própria sorte, um pequeno  grupo de agricultores familiares resistem em manter a atividade. Os recursos usados: produtos de qualidade comprovada, simpatia e muito esforço pessoal.

O resultado vem junto com a cumplicidade dos fregueses que solidários são unânimes em defender a causa dos empreendedores rurais.

Onde antes era uma feira livre, com grande movimento, resta agora um pequeno grupo que continua resistindo, confiante no trabalho e na importância que a atividade tem para a sociedade e na expectativa de dias melhores.

 

Pedro Barros

Repórter

Gente indo pro trabalho, feirante trabalhando, dona de casa escolhendo os produtos para o almoço do dia. Foto/ Rodrigues NNE

Uma rotina se estabelece todas as 5ª feiras, a partir da madrugada. Os produtos que serão negociados nesse dia já estão devidamente arrumados nas carrocerias de 3 carros que partem de assentamentos localizados na cidade de Branquinha com destino a Maceió. A distância aproximada de 66 km, levaria em tese, 1 hora para ser percorrida, no entanto esse tempo é bem maior. Por volta das 4 horas da manhã, já na capital, o trabalho de montagem das bancas e o descarregamento dessas mercadorias tem início. Uma hora depois, barracas montadas e mercadorias expostas, as vendas já tem início com os primeiros clientes, que vem em busca dos produtos frescos vindos direto da roça e livres de agrotóxicos.

A freguesia será atendida por Antonio Paulo, 54, do assentamento Nova Esperança, e seu ajudante, Ramiro Pereira da Silva, 65, e também por dois casais. O casal mais jovem é formado por José Edson Brito, 47, e Ivaneide Gomes da Silva, a Neide, 50, que vem do assentamento Santo Antonio.  E do assentamento Flor do Mandacaru, o casal mais experiente, constituído por José Nunes da Silva, 64, e Quitéria Avelino da Silva, 60.

Com exceção de Ramiro, que mora nas proximidades da feira, os cinco agricultores familiares são os responsáveis por conduzir os 3 veículos trazendo as preciosas cargas para venda na capital. Cada uma das três “equipes” vem de assentamentos diferentes. Todos eles com muita disposição, apesar do cansaço da viagem, para enfrentar com alegria mais um dia de vendas, certos de que farão bons negócios.

Esse entusiasmo garante que as manhãs de quintas-feiras sejam bem movimentadas, em um trecho da rua Dr. Jones Castro Lisboa, Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió, onde esses agricultores oferecem seus itens, em uma mini configuração de feira livre.

Desde 2017 são comercializados na localidade frutas, verduras, hortaliças, ovos, galinhas caipiras, raízes, tubérculos entre outros produtos da agricultura familiar. Em seus primeiros anos os artigos eram vendidos por mais de 30 feirantes, distribuídos em 16 bancas, hoje a realidade é bem diferente e aquele grupo se resumiu a apenas 6 pessoas.

Seu Nildo. Apoio incondicional à feira. Foto: Pedro Barros/ NNE

Os moradores locais, principais clientes da feira, acompanham essa transformação com preocupação. É que não apenas o fato de ter mais vendedores, consequentemente com mais itens assim como uma variedade maior destes à venda são atrativos para essa clientela, mas também se criou uma relação de amizade daquela comunidade com os feirantes.

Os moradores só apontam vantagens em ter esse ambiente de comércio agrícola próximo deles. José Nildo dos Santos é um desses clientes que permanece fiel, prestigiando os poucos feirantes, talvez na expectativa que o movimento de outrora possa ser restabelecido e aponta a solução.

“É pra essa feira ser valorizada, e precisa de apoio pra isso. Sou cliente há muito tempo, só não venho aqui se não puder. Essa feira só tem vantagens, perto de casa, sem agrotóxico, tudo natural”.

A comunidade local sabe da importância de contar com produtos frescos, vindos diretos da roça, livre da pesada carga de agroquímicos comumente usados na agricultura empresarial. Reconhecer o esforço desses empreendedores do campo é parte de um processo que ao longo da existência da feira culminou em um tipo de cumplicidade, que se pode chamar de resistência. Há uma resistência compartilhada entre os feirantes e seus clientes que teimam em enfrentar os obstáculos dizendo que vão continuar: os feirantes ofertando seus produtos e os compradores barganhando o melhor preço.

Dona Neide e o recado que conquista os clientes. Foto: Rodrigues/NNE

Essa cumplicidade afirma com todas as letras que ambientes como essa feirinha carecem de um olhar diferente, de um tratamento digno de sua importância. Essa feirinha, a exemplo de todas as outras existentes nos mesmos moldes, representa a possibilidade de permanência do agricultor no campo, gerando renda e empregabilidade, além de contribuir para a saúde da população com alimentos saudáveis.

No avental de Neide uma frase resume bem o que gera esse movimento de resistência, que embora não explícito em discursos, cartazes, propagandas, é captado nas falas dos atores envolvidos nessa trama. “Eu amo meus clientes”, é a frase que a agricultora estampa em seu avental. Dona Elda Gomes,73, moradora, reproduz algo parecido com o gesto. “...gosto muito dela, é uma pessoa muito boa e gosto também de ajudar aqui”. Ela se refere à atividade de debulhar as favas da vagem, o que faz com prazer. Elda ao sair de casa, já na porta, se depara com Neide. É que a feira se concentra ao longo dos terreiros de um conjunto de casas, todas com a mesma aparência, e uma dessas residências é de dona Elda.

Resistência

Dona Neide, Josefa, a mais nova cliente e dona Elda. Foto: Pedro Barros/ NNE

A feira da resistência, é assim que vamos chamar esse movimento, sabe que pode contar com toda a simpatia de sua clientela já fidelizada. E também consegue atrair a atenção de novos fregueses. “Vejo(sic) as pessoas comentando muito bem da feira. As meninas me disseram que a melancia é muito boa, vim comprovar”, explicou a auxiliar de serviços gerais Josefa Amorim, moradora do Eustáquio Gomes, bairro distante do local onde acontece a feira.

Nesse contexto, onde existe toda essa interação, pensar na possibilidade de que a feira possa ampliar suas atividades parece razoável.  Ao passo que se cogita essa possibilidade é inevitável responder a algumas questões postas nesse desafio que é empreender no campo.

Porque tão poucos produtores restaram nesse ponto de venda? Quais circunstâncias impedem que mais agricultores se juntem ao pequeno grupo de “resistência” e retome a configuração anterior? Provavelmente essas questões responderão que as políticas públicas voltadas à agricultura familiar precisam de ajustes. No entanto, não é necessário ir muito além para entender que velhos problemas estruturais e de logística ainda se impõem como entraves impedindo que o ciclo completo da agricultura familiar se feche. Então, desde o plantio até os alimentos chegarem na mesa do consumidor, uma verdadeira saga se impõe ao pequeno empreendedor rural.

 

Transporte, o principal vilão

Veículo usado por Brito e Neide para transportar as mercadorias. Foto: Rodrigues/NNE

É necessário mais apoio para o empreendedor do campo, com assistência técnica para garantir uma melhor produção e logística para auxiliar no escoamento dos produtos cultivados. Sem esses fatores equacionados, produzir alimentos na agricultura familiar vai ser sempre uma aventura. “Não é fácil chegar aqui com o pouco que a gente produz, são 2h de viagem, e na época da chuva fica ainda mais difícil”, explica Brito.

A fala do empreendedor sintetiza uma das principais dificuldades enfrentadas pelos pequenos agricultores país afora: a falta de transporte para escoar a produção de modo eficiente e seguro. Essa lacuna responde com propriedade porque a grande maioria dos feirantes desistiram do negócio. Transportar a produção até os pontos de venda é um grande desafio e nem todo agricultor consegue custear o transporte para levar o resultado de seu trabalho aos clientes.

No início das atividades da feira os agricultores que ocupavam as 16 bancas custeavam coletivamente o transporte. Contratavam um caminhão, vinham amontoados, sem um mínimo de conforto e segurança, mas conseguiam trazer suas mercadorias e vender. No entanto, devido à intensificação da fiscalização rodoviária, várias multas foram aplicadas, obrigando o motorista a desistir do negócio e os agricultores a ficarem sem a possibilidade de escoarem suas mercadorias.

O casal Brito e Neide é um dos poucos que conseguiu contornar esse gargalo ao adquirir um veículo aberto para o transporte das mercadorias.

Brito e Neide. Pequenos na produção mais grandes na força empreendedora. Foto: Rodrigues/NNE

“Somos pequenos produtores, mas a gente se torna grande também, por vir até aqui, trazer nossa produção. Mas o grande problema é o transporte. Nem todo mundo tem um carro. A gente comprou um carrinho, na verdade a gente está vindo por causa desse transporte. Se não tiver, não vem”, enfatizou Brito que ao lado de Neide, como prefere ser chamada, estão há cinco anos percorrendo esse trajeto.

Essa realidade — que impôs a muitos agricultores que deixassem de trazer suas mercadorias para Maceió — estabeleceu um tipo de parceria, informal, firmada entre o produtor que tem carro e aqueles que não possuem veículos. No caso, o agricultor que tem um transporte compra parte da produção daqueles que não tem e que por isso não conseguem por conta própria trazer o resultado de sua colheita para a capital.

“A gente ainda ajuda os vizinhos que produzem também, comprando os produtos deles.  Muitos tem vontade de vir, mas não vão conseguir chegar até aqui porque não tem um transporte. Se ele for pagar um frete vai ficar muito caro e aí fica muito ruim”, explica o agricultor com um certo orgulho em poder garantir a aquisição de parte do que é produzido pelos colegas.

Neide faz questão de reforçar essa realidade como símbolo da resistência que marca a continuidade da feira. “A gente conseguiu comprar um carro para trabalhar e esse esforço facilitou muito o nosso dia a dia, mas a maioria não consegue e sem transporte não tem como. Esse trabalho aqui é de resistência, essa feira aqui vem resistindo e a nossa esperança é que vai melhorar”, enfatiza, ao passo que o companheiro complementa o diálogo afirmando que a intenção deles é “trazer mais gente e continuar”.

Feira frenética

Um recorte da movimentação no dia da feira. Foto: Rodrigues/NNE

É esse esforço e otimismo que garantem a quem passar pela localidade no dia em que ocorre a feira e nas primeiras horas da manhã “flagrar” a disposição do pequeno grupo na montagem das bancas e no descarregamento dos bens que serão negociados. Apesar dos poucos vendedores, há um frenesi, um certo entusiasmo — uma movimentação típica de quem está se preparando para logo mais receber os clientes e comercializar os produtos.

A cena descrita, mesmo com toda a movimentação sugerida, é tão comum, pois vendedores montando barracas para expor suas matérias-primas de trabalho, não são exatamente uma novidade e não parece ser algo marcante, a ponto de chamar a atenção das pessoas.

Mas, para os moradores da localidade - fregueses de carteirinha dos produtos da roça – que acompanham a feirinha desde seu começo, como já destacado, a cena descrita tem sim, um valor e chama a atenção. Primeiro porque traz à lembrança dessas pessoas um movimento muito mais intenso, quando no local tinham mais vendedores e uma variedade maior de produtos. Se não há nenhum apoio institucional para que a feira seja revitalizada, esses empreendedores rurais sabem que contam com a simpatia e o apoio de seus amigos clientes, como já visto.

Apoio

Nilton Almeida aposta na divulgação para resgatar a feira.

Dez entre dez frequentadores da feira pronunciam as palavras apoio e divulgação como “mantras” capazes de restabelecerem a intensidade que o ambiente tinha no início das atividades. “Eles precisam de apoio. São produtos sem agrotóxico, tudo natural. Pra mim é bom demais”, argumenta Nilton Almeida de Lins, 72, aposentado e cliente da feira desde o seu começo. Ele compartilha uma preocupação, comum a maioria dos clientes, que mostra a necessidade de que mais pessoas conheçam e possam visitar a feira e comprar seus produtos.  Mais frequentadores, mais feirantes e a feira se reabilita como outrora. Provavelmente é seguindo essa lógica da divulgação que eles acreditam em revigorar a feira. “Muita gente não sabe que tem essa feira aqui. Se soubessem, teria mais movimento aqui”, finaliza, na expectativa de que isso venha a acontecer.

Paulo Sátiro e as boas lembranças dos dias de feira intensa. Foto: Rodrigues/NNE

Com o mesmo pensamento, Paulo Sátiro Guilherme, 79 anos, traz um saudosismo em suas palavras, ao lembrar dos melhores momentos da feira em seu começo. “Se fosse como no início...era muito bom. Muita gente vendendo e muita gente comprando”, disse, destacando ainda outras vantagens que a feira trouxe para o bairro desde que teve início. “Livrava a gente de se deslocar para outros lugares, era uma facilidade. Para o Tabuleiro foi ótimo. Deu muita vida. Infelizmente diminuiu”, conclui com ar nostálgico.

Essa é uma queixa que se verifica facilmente ao circular no pequeno comércio. A unanimidade dos fregueses em apontar a necessidade de divulgar o evento para um público maior com a expectativa de revitalizar o ponto de venda, só rivaliza com a concordância de todos sobre a qualidade dos produtos vendidos. Ainda tem a dica das especialistas de plantão. Uma delas ensina como identificar aquela fruta de “verdade”.  “Essa prata (banana) é legítima, pode olhar que tem ponta fina e é mais comprida e muito mais gostosa”, defende Dona Izabel, que preferiu se identificar apenas com o prenome e não quis informar a idade.

Preços competitivos

“O preço é bom. Mercadoria de primeira”, anunciou, Maria do Socorro Silva, cliente assídua da feirinha. “No dia que falta um deles eu fico doidinha”, comentou. “O que tem de bom aí, Zé”? A indagação é do Nilton Almeida, aquele que além de apelar para que haja uma divulgação da feira, como já registrado, assegura que os preços são compatíveis com o que é praticado no mercado. Ele aproveita ainda e destaca a qualidade das mercadorias. “O que a gente compra aqui é sem agrotóxico. É tudo natural! Pra mim é bom demais.”, comemora, enquanto José Neves da Silva, 64, o Zé, apresenta as mercadorias.

Dona Quitéria, às vezes pensa em desistir. Mas só pensa. Foto: Rodrigues/NNE

José Neves, seu Zé, divide o trabalho com a esposa, Quitéria Avelino da Silva, 60. Dona Quitéria tem um ar de preocupação que revela as dificuldades já demonstradas. O casal vem nessa labuta desde o início das atividades de feirinha, em 2017. Naquela época eram 16 bancas, sortidas de produtos e de esperança em bons negócios. A realidade atual deixa dona Quitéria um pouco apreensiva.

Talvez saudade daquele frenesi todo. Provavelmente esse é o motivo que faz com que a agricultora “ameace” seus fregueses. “Quando digo ao povo que não venho mais, o povo não aceita”. E assim, dividida entre “ameaças” e o desejo de continuar com a atividade, dona Quitéria continua firme, atendendo aos seus fregueses com presteza e atenção, e a ameaça é só um desabafo, como um grito de socorro por melhores dias, mas “desistir nunca”, conclui.

Seu "Zé". Tranquilidade e poucas palavras. Foto: Rodrigues/ NNE

Amara Soares da Silva, 58, dona de casa, é uma das clientes que não cogita ficar sem os produtos de dona Quitéria. Ela desconfia dessa possibilidade. A dona de casa atesta a cordialidade, não só da feirante, mas também do seu Zé. Ele com ar tranquilo, uma certa timidez, esconde um sorriso discreto no canto da boca, como se dizendo, podem ficar tranquilos, a gente continua aqui. “São ótimos! Gente boa.”, sentencia a dona de casa. “No dia que falta qualquer um deles eu fico doidinha”.

A afirmação é de Maria do Socorro Silva, mais uma dona de casa que reconhece os benefícios de contar com ofertas de produtos de qualidade pertinho de casa. “Preço bom, mercadoria de primeira qualidade. Às vezes pode estar um pouco caro.”, atesta, mas faz uma ressalva: “São produtos naturais. Está ótimo”.

Empreendendo

Ramiro é o "braço direito" de Paulo. Sempre prestativo. Foto: Rodrigues/ NNE

Por sinal, como já visto, a avaliação positiva dos feirantes e dos produtos, por parte da clientela, é lugar comum. “A mercadoria deles é de primeira”, quem decreta é Joselito da Silva, 58, se referindo aos produtos vendidos na banca de Antonio Paulo, 54 e de seu ajudante Ramiro. O morador do Santos Dumont, bairro não tão próximo do local de vendas, sempre que pode comparece nos dias de feira para garantir, como destaca, a compra dos melhores produtos para o consumo. “Só procuro produtos orgânicos”, enfatiza.

“Quando não tenho mercadoria minha, não compro na Ceasa”. A afirmação de Antonio Paulo é uma garantia de que Joselito está no lugar certo. “Os produtos vendidos são todos oriundos de cultivo orgânico, isentos de agrotóxicos”. O agricultor reforça a informação já destacada pelos demais feirantes e divulgada pelos fregueses. Além de cultivares, o carro chefe da produção do empreendedor rural é a criação de galinhas poedeiras. “No início eu trazia pouca coisa, e ainda voltava com a sobra, mas com o passar do tempo as pessoas foram conhecendo o nosso produto. O que eu produzir hoje, consigo vender”, afirmou. Para a criação das aves, o produtor mantém três galpões de 60 m².

Paulo, cujo objetivo é diversificar a produção. Mesmo que não tenha tempo para lavar o carro. Foto: Rodrigues/ NNE

Paulo é um bom exemplo do que o empreendedor, seja no meio rural ou urbano, precisa fazer para se estabelecer no mercado com consistência. Se não tem apoio imediato para alguma demanda, ele não espera pela sorte e cai em campo para realizar a tarefa pretendida. Como no caso de operação de calagem, feita para corrigir a acidez e melhorar a fertilidade do solo. “Eu mesmo coletei as amostras de solo para fazer a calagem”, afirma, destacando o procedimento que consiste em aplicar cal na terra após o resultado das amostras, que indicam a necessidade de corrigir a acidez do solo.

Plantar, criar e se virar como pode é a rotina do agricultor familiar. No exemplo de Paulo, que diversificou a atividade com as galinhas poedeiras, as tarefas seguem noite adentro, sempre de olho nas aves, monitorando a temperatura, por exemplo, para evitar estresse, o que influencia diretamente na quantidade de ovos produzidos. Ainda tem produção de mel e ele também está iniciando cultivo de coco.

“O meu forte é a produção de ovos, como já disse, mas também tem mel e agora estou iniciando uma plantação de coco. Hoje pego coco com o meu vizinho e pretendo em breve ter minha própria produção.

No auge da produção Paulo chega a vender 100 caixas de ovos caipira por semana. Foto: Rodrigues/NN

Paulo, bem como seus colegas, sintetizam a força do empreendedor rural que precisa se desdobrar ao máximo para garantir o mínimo de retorno, em uma atividade onde o tempo se torna escasso para as mais simples tarefas. “Não consigo nem lavar o carro, o tempo é escasso”, desabafa. “Todo o recurso é nosso, a mão de obra é nossa”. Mão de obra, por incrível que pareça, é outro gargalo que impacta negativamente na atividade. “A turma jovem foi embora tentar a sorte em outro lugar. Aqui ficou a ‘velharada”, lamenta.

Essa situação parece envolver um certo paradoxo. Ao mesmo tempo que a agricultura familiar mostra sua fragilidade, expõe também sua força. Veja então. Em um país onde as oportunidades para jovens periféricos são escassas, bastaria a atenção de governos e prefeituras, enxugando o excesso de burocracia e exigências e estimulando a agricultura familiar em todo o seu potencial, para que essa realidade fosse modificada rapidamente.

Caso essa semente seja plantada e com o necessário apoio a empreendedores como os aqui retratados, a sociedade além dos já aprovados alimentos da roça, colherá também desenvolvimento, sustentabilidade ambiental e muitas vidas modificadas.

 

 

 

 

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