Vice-prefeito transforma origem no campo em negócio inovador, gera empregos e coloca Alagoas no mapa da produção de chocolate artesanal com apoio do Sebrae
Da Redação*

A produção de cacau em Alagoas pode soar inusitada para muitos. Mas é justamente desse cenário improvável que nasce uma das histórias mais inspiradoras do empreendedorismo regional. Em Matriz do Camaragibe, interior do estado, o município agora abriga a primeira fábrica de chocolate 100% alagoano: a Cacau Matriz.
À frente do projeto está Ramon Dantas, 33 anos, filho de agricultores, criado em assentamento rural e hoje vice-prefeito da cidade. Técnico agropecuário, formado também em turismo e gestão pública, ele transformou o que era apenas um sonho de infância em um negócio estruturado que integra agricultura, indústria e turismo.
A virada começou com uma inquietação: por que Matriz do Camaragibe era vista apenas como território da cana-de-açúcar? Ao identificar pés de cacau na região, Ramon enxergou potencial onde muitos viam apenas produção doméstica dispersa.
O que parecia isolado revelou-se uma cadeia produtiva latente. Produtores de municípios como Colônia Leopoldina, União dos Palmares, Murici e Palmeira dos Índios também cultivavam cacau, ainda que em pequena escala.
Com organização e estratégia, nasceu a Cooperativa dos Produtores de Cacau de Alagoas (COPCACAU), que hoje reúne 42 cooperados. A iniciativa estruturou a produção, reduziu custos logísticos e garantiu fornecimento para a fábrica.
O resultado é a Cacau Matriz: loja e mini fábrica onde o cliente acompanha o processo do fruto à barra. A proposta vai além da venda — é uma experiência sensorial que conecta plantação, produção artesanal e degustação.
Inaugurada em novembro, a fábrica já demonstra viabilidade econômica. Em apenas dois meses de operação efetiva, atingiu faturamento de R$ 50 mil em janeiro, com meta de crescimento mensal de 5%.
O portfólio inclui barras tradicionais, versões veganas e zero lactose, chocolate branco, creme de cacau com castanhas, panetones, chá de cacau e sorvete artesanal.
A prioridade é clara: fortalecer a economia local. A equipe é formada exclusivamente por moradores de Matriz do Camaragibe, reforçando o compromisso com geração de renda e desenvolvimento territorial.
Além do impacto econômico direto, o projeto agrega valor cultural. As embalagens trazem personagens inspirados na fauna local, reforçando identidade regional e educação ambiental.

Antes mesmo do chocolate, o sonho de Ramon era colocar Matriz na rota turística. A estratégia foi complementar o turismo consolidado de municípios vizinhos como Maragogi e Japaratinga, oferecendo ao visitante mais um dia de permanência na região.
Assim nasceu a Rota do Cacau, integrando trilhas, rio, cachoeira e visita à plantação e à fábrica. O modelo insere Alagoas em um novo nicho: o turismo de experiência ligado ao agro e à produção artesanal.
O visitante não apenas compra chocolate. Ele vivencia o processo completo, da lavoura à degustação.
Se a ideia nasceu da visão empreendedora, a consolidação do negócio contou com apoio decisivo do Sebrae Alagoas.
Consultorias em boas práticas, planejamento estratégico, gestão e estruturação de mercado foram fundamentais para transformar o projeto em empresa competitiva. O Sebrae atuou tanto na organização da produção quanto na conexão com o mercado turístico e comercial.
O caso da Cacau Matriz evidencia como capacitação, planejamento e identidade territorial podem reduzir riscos e acelerar resultados no micro e pequeno negócio.
A história de Ramon Dantas vai além da fábrica. Ela representa um novo modelo de desenvolvimento para o interior nordestino: integração entre agricultura familiar, indústria de transformação, cooperativismo e turismo.
O que começou com pés de cacau dispersos tornou-se cadeia produtiva organizada, geração de empregos locais e inserção de Alagoas na rota do chocolate artesanal brasileiro.
Para o portal Negócios Nordeste, a Cacau Matriz simboliza exatamente o que o empreendedorismo regional pode alcançar quando visão estratégica encontra capacitação técnica e valorização da identidade local.
Mais do que produzir chocolate, o projeto produz exemplo.

*Com Sebrae/AL
