Startup pernambucana transforma resíduos tóxicos do jeans em insumo nutritivo para sementes

Publicado por: Redação
Postado:  03/05/2025

 O biofortificante reduz em até dois dias o tempo de germinação das sementes

 

Foto: Reprodução/Canal UFPE

Junte três mulheres aguerridas com uma elevada dose de preocupação com o meio ambiente, espírito empreendedor, conhecimento científico e apoio público para pesquisa e fomento aos negócios e o resultado não poderia ser melhor: transformar lixo em vida. A conjuntura descrita deu origem ao biofortificante - uma solução inovadora que aproveita os resíduos da indústria têxtil da lavagem de jeans transformando-o em um produto para uso pela agricultura, especialmente favorecendo a germinação de sementes com um suprimento extra de nutrientes.

O processo de lavagem necessário para tingir uma das peças mais básicas do guarda-roupa brasileiro é bastante poluente. O despejo do lodo no esgoto ou até mesmo diretamente no rio pode causar prejuízo ao solo, à água, aos animais e às plantas. O aproveitamento, portanto, desse resíduo industrial, transformando-o em uma capsula protetora para as sementes tem grande potencial econômico,  ao passo que também é uma salvaguarda para o meio ambiente.

Germini

As pesquisadoras Jéssica Vasconcelos e Eneri Melo. Foto: Reprodução/Canal UFPE

Em um laboratório, o que sai das lavanderias vira cápsulas ricas em carbono que envolvem sementes, potencializando a germinação e assim contribuindo para melhores resultados na produtividade e produção agrícolas. A inovação foi desenvolvida pela Germini, startup incubada no Parque Tec da Universidade Federal de Pernambuco e responsável por desenvolver todo o processo (UFPE).

A empresa tem como sócias Jéssica Vasconcelos (CEO), Tatiane Marques, administradora e Eneri Melo, engenheira da computação e técnica em química. O projeto conta com a mentoria dos professores Severino Alves e João Bosco Paraíso da Silva. O aspecto econômico e o cuidado com o meio ambiente estão atrelados o que torna a proposta atraente, demonstrando assim a capacidade de crescimento que a empresa experimentará nos próximos anos.

Como funciona

Foto: Reprodução/Canal UFPE

O processo de lavagem de um dos itens mais básicos do guarda-roupa brasileiro — necessário para tingir as peças — é bastante poluente. O despejo do lodo no esgoto ou até mesmo diretamente no rio pode causar prejuízo ao solo, à água, aos animais e às plantas.

O lodo residual - resultado da lavagem das peças - contém fibras sintéticas e naturais, que podem ser do algodão ou até mesmo do poliéster. Quando sai das lavanderias, o material está bastante úmido e então segue para um processo de secagem no laboratório utilizado pela Germini, no Departamento de Química Fundamental da universidade. Depois de seco, ele passa por tratamento para retirar as impurezas e, em seguida, vai para um processo chamado síntese térmica, em que será aquecido a altas temperaturas.

Foto: Reprodução/Canal UFPE

A síntese térmica quebra as fibras, gerando um material extremamente rico em carbono. O produto final são nanopartículas de carbono transformadas em biofortificante. A última etapa é deixar esse material gelatinoso para que ele envolva sementes, como a de feijão, aumentando a velocidade e a taxa de germinação ao fornecer nutrientes e reter água, o que é bom para a agricultura em regiões mais áridas.

 Mais sementes germinadas e em menor tempo

Foto: Reprodução/Canal UFPE

Acelerar a taxa de germinação das sementes é uma das principais vantagens de todo esse processo. De acordo com Jéssica os experimentos já permitiram comprovar que é possível diminuir o tempo de germinação em até dois dias. Ela explica que se uma semente leva, por exemplo, quatro dias para germinar, com o biofortificante a germinação acontece em dois dias. O produto contribui, também, para que um número maior de sementes sejam germinadas.

Na prática, a utilização do biofortificante, ao contribui com a redução do tempo de germinação e aumentar a taxa de sementes germinadas, permite uma produção maior da colheita e melhora a qualidade dos vegetais, garante a empresa. Elas reforçam que a atuação da Germini além de auxiliar os produtores na redução de custos melhorando os resultados operacionais da produção, contribui decisivamente para reduzir os impactos ambientais causados pelo descarte desses resíduos.

Foto: Reprodução/Canal UFPE

O produto se torna dessa forma um aliado, tanto para os pequenos, como para os grandes produtores rurais, além de seu uso estimular o adequado descarte do resíduo tóxico, melhorando assim a relação setor produtivo e equilíbrio ambiental. As empresárias estão finalizando uma etapa de testes em campo na universidade e, depois, vão partir para os testes diretamente com agricultores.

Potencial

Infográfico: Rodrigues/NE

O agreste pernambucano tem mais de 800 lavanderias, nem metade delas trata a água da lavagem do jeans. Já o descarte dos resíduos têxteis, mesmo feito legalmente, é por si só prejudicial ao meio ambiente, pois tem como destino os aterros sanitários. Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru são os três principais municípios dos 11 que compõem o Polo Têxtil do Estado, um dos mais importantes do país.

A Germini tem uma parceria com a lavanderia Nossa Senhora do Carmo, em Caruaru. Por ora, as empreendedoras têm capacidade para processar até 10 quilos de lodo têxtil por vez. “A ideia é conseguir expandir para mais lavanderias a gente tenha estrutura para comportar a demanda que existe”, Jéssica. “O plano é conseguir mais fomento para que a gente consiga crescer e realmente chegar ao mercado”, planeja.

A ideia da Germini surgiu em 2022 durante a cadeira multidisciplinar Projeto de Inovação, conhecida na UFPE como “Projetão”, que reúne estudantes de diversos cursos. O objetivo da disciplina era encontrar uma saída que envolvesse tecnologia para resolver um problema ligado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).  Além do resíduo têxtil, a Germini consegue trabalhar com resíduos de qualquer setor, desde que seja matéria orgânica. “Temos capacidade para atuar, por exemplo, com a indústria alimentícia e usinas de cana-de-açúcar”, cita Jéssica.

 

Da Redação com Assessoria

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