*Cicero Rodrigues

Você certamente vive em uma era que nós poderíamos chamar de era digital — era das redes talvez, ou ainda, quem sabe, mundo híbrido, com parte de suas ações no mundo físico e parte nos ambientes digitais. Curiosamente o ambiente de negócios passa por este mesmo olhar, as empresas (pequenas ou grandes) têm uma personalidade física, que tenta operar no mercado da forma mais tradicional possível e uma personalidade digital tentando “a todo custo” ser uma marca percebida, acessada e consumida.
Esse modo híbrido de estar no mundo – ou no mercado – e de interagir com o “consumidor” permite perceber que as pessoas e as empresas querem ter a experiência de possuir valor, de ter uma voz autêntica e humana (no caso das pessoas) e de ser um “avatar” presente nas redes com visibilidade, interação e influência. Mesmo que a frieza dos algoritmos não os coloque no fluxo do sucesso pretendido.
Quanto disso se traduz em produtividade? Quanto disso é vício ou vaidade? E não é bom se iludir, o limite entre o vício e o sucesso, ou o insucesso, praticamente não existe. A questão é que as recompensas para os “viciados” são insignificantes. Mas será que os avatares pessoais e de empresas traduzem satisfatoriamente suas ações no universo digital em produtividade real, ou todos se enganam com meia dúzia de curtidas?
A vida real – física ou digital, tanto faz – tem mesmo que ser um apelo de consumo do que quer que seja? Dilema humano, mas os negócios não pensam dilemas para si, embora muitas empresas estejam envolvidas em vícios nos seus processos produtivos. Vícios de outra ordem, é verdade, nada que um bom gerenciamento ou consultoria de gestão não possa aprimorar estes processos e resolver problemas reais e do ambiente digital de negócios.
Ah, e vale lembrar que uma gestão pessoal dos processos e das demandas pessoais e profissionais pode ser um excelente meio de você não se perceber um viciado digital.
*Cicero Rodrigues é diretor de arte e ilustrador.
