Uma dica de leitura do mercado editorial
* Cicero Rodrigues

Notas sobre um fracasso específico, esse poderia ser o título de um dos livros disponíveis na 10ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Talvez você nem notasse o tal livro, talvez não conhecesse o autor, talvez até a editora fosse também desconhecida para você. Nesse caso, a gente precisa discutir o fracasso como solução para muita coisa. Ou para algo específico, como sugere o título deste livro fictício.
Por exemplo, esta décima edição da Bienal do Livro de Alagoas vivazmente sinaliza um fracasso importante, ou muitos fracassos importantes, para ser mais exato. Sim, é isso mesmo que você está lendo, a Bienal do Livro de Alagoas tem tudo a ver com um fracasso, e isso é muito bom. Aliás, os fracassos ficam muito bem na literatura, as vidas secas alimentam o fazer literário, assim como as almas atormentadas. Sem esquecer do quanto podem Macabéa, Capitu, Cármen Lúcia Dantas, Mãe Neide, Irinéia, Sil Capela, Sinhá Vitória e... Baleia. Na literatura, até Orfeu precisa ser inventado. E quando há sucesso, ele nunca é acidental. Precisa mesmo ser inventado, reinventado, editado, diagramado, revisado, impresso e vendido.
Livros sendo vendidos, eis aí outro fracasso que a Bienal denuncia. Denuncia não, escancara. Ou seria imprime? Ilumina, seria melhor.
O Brasil acaba de sair de um capítulo obscuro de sua história. Então, uma Bienal do Livro é mesmo um fracasso para esse capítulo perdedor. Um fracasso a ser comemorado com livros na mão. Porque a Bienal abre-se para a cultura, para diversas manifestações culturais, para a diversidade, para diferentes saberes e, principalmente, para algo fundamental para os autores, editoras e o mercado editorial: a venda do livro. Claro que a cultura e o saber importam, porém a Bienal precisa também imprimir, frente ao capítulo perdedor, esse sucesso da venda dos livros.
Notas sobre um fracasso específico diz muito sobre um momento histórico importante. Porque uma Bienal traz luz para o mercado editorial e para pensamento crítico.
*Cicero Rodrigues é diretor de arte e ilustrador.
